Ética no Judiciário
(Deborah Maria Ayres)
A ética dentro de qualquer ambiente de trabalho é assunto para questionamento e, por que não, de objeções.
A ética tem virado assunto constante dentro dos meios jurídicos agora que vemos crescer uma estrutura de análise jurídica voltada principalmente aos princípios.
Tendo uma Constituição composta por princípios que sobressaem a lei, não é à-toa que cresce a utilização da jurisprudência em todo o país. Mas a jurisprudência e a ética não caminham juntas apenas no Brasil, é um fato consumado no mundo inteiro, principalmente em países Europeus em que o direito teve ao longo dos séculos profundas modificações positivistas.
A questão atual sobre a ética está cercada de questões que vão desde a atuação dos advogados e do judiciário, aos altos cargos do poder até a privacidade que um filho pode ter em relação a seus pais.
Entre uns dos problemas mais graves sobre ética trata da relação do advogado e seu cliente.
Os modernos escritórios acreditam numa maior aproximação do profissional do Direito com o seu cliente a fim de que a defesa dele seja facilitada. Entretanto, até onde vai o limite do envolvimento profissional e pessoal do advogado com seu cliente? Como anda a relação com o certo e o errado entre os manipuladores do direito? Os interesses econômicos deles são maiores que a busca de um bom desempenho?
Na Seccional do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil por seu Tribunal de Ética e Disciplina (TED), recebeu, no ano de 2005, 255 casos, em sua maioria tratavam de investidas de cidadãos contra advogados, totalizando 186 processos. Os restantes, 69 processos, foram impetrados por advogados contra membros da própria classe.
O TED julgou mais da metade dos processos, 158, e arquivou 84 por carência de dados comprobatórios.
De um total de 94% de casos apurados, foram causados por apropriação de valores ou não prestação de contas de advogados com seus clientes. O julgamento do TED resultou na suspensão de 99 advogados – 33 deles por violação aos deveres previstos no Código de Ética, 6 sofreram advertências, 2 sofreram censura e um teve pena de exclusão. Atualmente, 388 processos tramitam na OAB-PA, à espera de encaminhamento ao TED. Eles terão que ser previamente avaliados por conselheiros da entidade. Desses, 341 são motivos disciplinares, mas a grande maioria se encontram nos 47 processos restantes, movidos por inadimplência, que envolve um total de 1410 advogados paranaenses.
No Rio de Janeiro há 2000 novos processos éticos disciplinares na OAB-RJ, entre os tipos de desvios mais graves, registrados de 5 anos pra cá, são de vinculações com o crime organizado. Nos últimos anos foram expulsos da Ordem 42 advogados, 13 dos quais por ligação com o crime organizado, inclusive com o tráfico de drogas.
Aos nossos manipuladores do Direito é dado o poder de modificar o entendimento e os conceitos dentro do próprio direito, é lhe dado o poder de modificar o destino dos cidadãos dentro das leis do homem, mas, ao mesmo tempo, que o advogado é elevado a um dos patamares mais altos da sociedade, alguns, se esquecem que o chão está mais embaixo e que eles estão sob as mesmas leis do homem que lhe indica direitos e, também, deveres.
A falta de moralidade e ética tanto do judiciário como em qualquer área profissional se dá entre um dos 7 pecados capitais, a ganância, o que leva até mesmo a se aliciar ao tráfico como foi visto no ano de 2005 e 2006 na mídia e meios de comunicação em geral.
Assim, para que não haja mais advogados que se corrompam em seu próprio poder intelectual é necessário reeducá-lo dentro do devido processo legal. É direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem considerar a sua própria opinião sobre a culpa do acusado (Código de Ética da OAB). “Não chego a ser amigo devido ao condicionamento profissional, mas faço papel de terapeuta, escutando os problemas dos acusados para fazer uma boa defesa” (José Luís Oliveira Lima, advogado da Oliveira Lima e Hungria Advogados, ex- Ministro da Justiça).
Escrito por deborah.ayres às 10h29
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